Acesso por broker é a regra que define o que cada broker enxerga dentro do ambiente do fundo. O desenho que funciona é simples: cada broker vê a própria carteira, com tudo o que precisa para trabalhar, e não vê nada dos outros. O fundo vê a rede inteira. Assim o broker tem autonomia, o fundo tem governança e a carteira de um broker não fica exposta para os concorrentes da mesma rede.
Parece um detalhe técnico. Mas é ele que decide se o broker topa trabalhar dentro do ambiente do fundo ou continua mandando planilha por WhatsApp.
Por que o acesso por broker é um problema de negócio?
Os brokers de uma mesma rede competem entre si. Muitas vezes trabalham os mesmos tribunais, compram as mesmas listas de LOA e procuram os mesmos credores. Se um broker consegue ver a carteira do outro, duas coisas acontecem:
- o broker que trabalha bem perde a vantagem, porque o concorrente vê quem ele já procurou e quanto ofereceu
- o broker que trabalha bem vai embora, ou passa a esconder o que tem e só mostra o negócio pronto
Nos dois casos o fundo perde. Ou perde o broker, ou perde a visibilidade que queria ganhar.
Por outro lado, se o fundo trava demais o acesso, o broker não consegue trabalhar: não importa a própria lista, não vê o histórico do credor, depende do fundo para mudar uma etapa. Ele volta para a planilha dele.
O acesso por broker precisa resolver as duas pontas.
O que o broker vê, e o que ele não vê
Uma divisão que costuma funcionar:
| Broker | Fundo | |
|---|---|---|
| Credores e precatórios da própria equipe | vê e trabalha | vê |
| Credores de outros brokers | não vê, nem na busca | vê |
| Pipeline e etapas | usa o pipeline definido pelo fundo | define e vê todos |
| Histórico de contatos e documentos | da própria equipe | da rede inteira |
| Relatórios | os números da própria equipe | todos, comparados entre brokers |
| Configuração do ambiente (etapas, motivos de recusa, equipes) | não altera | altera |
Um ponto que muita gente esquece: o recorte tem que valer em todo lugar. Lista de credores, busca, kanban, feed de atividade, notificações e relatórios. Se a lista principal esconde o credor de outro broker, mas a busca mostra, o recorte não existe.
Como cadastrar um broker novo?
O cadastro de brokers costuma seguir quatro passos:
- Criar a equipe. Uma equipe por broker, ou por escritório parceiro. A equipe é a unidade de acesso: tudo o que é dela, todos os membros dela veem.
- Convidar as pessoas. Cada pessoa da equipe do broker entra com o próprio e-mail e o próprio login. Login compartilhado acaba com qualquer trilha de auditoria.
- Atribuir a carteira. As listas ou campanhas que o broker vai trabalhar passam a pertencer à equipe dele. Se a carteira for importada pelo próprio broker, ela já nasce na equipe.
- Combinar as regras. Antes do primeiro contato com credor: qual é o pipeline, quais motivos de recusa usar, como funciona a regra de conflito (próxima seção) e como a comissão é calculada.
E o desligamento é tão importante quanto o cadastro. Quando a parceria acaba, o broker perde o acesso no mesmo dia. A carteira fica com o fundo, com o histórico completo: quem foi procurado, o que respondeu, em que etapa parou. Essa é a diferença entre "o broker saiu" e "o broker saiu levando a base".
O que fazer quando dois brokers trazem o mesmo processo?
Vai acontecer. As listas de precatórios por tribunal e ano de LOA são públicas, e dois brokers que trabalham o mesmo tribunal vão esbarrar no mesmo credor. A pergunta não é como evitar, e sim como resolver sem briga.
Três regras ajudam:
- Uma regra de prioridade escrita. A mais comum é "fica com quem registrou primeiro o contato com o credor". Registrou, e não "importou primeiro na lista". Ter o nome do credor numa planilha não é trabalho.
- Checagem pelo número do processo quando uma base nova entra. O nome do credor varia (grafia, abreviação, acento). O número do processo não. Vale cruzar a base nova com o que já existe na rede inteira, e não só na equipe do broker.
- O conflito aparece cedo e para o fundo. Quem decide é o fundo, com base no histórico registrado. Se o conflito só aparece na análise, os dois brokers já investiram tempo e o credor já recebeu duas abordagens.
E uma regra de convivência: o broker que perdeu o credor no conflito não deve ver os dados de quem ganhou. Ele fica sabendo que o processo já está com outra equipe, e só.
O que fica na trilha de auditoria?
A trilha de auditoria é o que dá ao fundo segurança para dar autonomia. O mínimo a registrar, com data e autor:
- Mudança de etapa do credor no pipeline
- Contatos e anotações sobre o credor
- Documentos anexados ou removidos
- Alteração de valores e simulações de proposta
- Mudança de responsável e de equipe
- Entrada e saída de pessoas no ambiente
Com isso, o fundo consegue responder a perguntas que hoje viram discussão: quem procurou esse credor primeiro? Quem alterou o valor dessa proposta? Desde quando esse negócio está parado em documentação?
No prosprec, por exemplo, cada broker é uma equipe dentro do ambiente do fundo, o recorte vale para lista, busca, kanban, feed e relatórios, e cada movimentação do credor fica na linha do tempo dele. Veja como funciona para fundos.
Perguntas frequentes
O broker precisa de um sistema próprio?
Não. O modelo mais seguro para o fundo é o broker trabalhar dentro do ambiente do fundo, com acesso só à própria equipe. Assim os dados ficam num lugar só e o fundo não depende de relatório para saber o que está acontecendo.
Um broker pode ter mais de uma pessoa trabalhando?
Pode e é comum. Cada pessoa entra com o próprio login, dentro da equipe do broker. Todos da equipe veem a carteira da equipe, e a trilha de auditoria mostra quem fez cada coisa.
O que acontece com a carteira quando o broker sai?
O acesso dele é encerrado e a carteira continua no ambiente do fundo, com todo o histórico. O fundo pode passar os credores para outra equipe ou trabalhá-los diretamente.
O broker vê os números dos outros brokers?
Não. Cada broker vê os números da própria equipe. Comparar a rede inteira é papel do fundo. No pilar sobre controle de brokers falamos dos números que o fundo deve acompanhar.
Leia também: LGPD na compra de precatórios: o que fazer com CPF e dados do credor.
