A gestão de equipe na compra de precatório depende de quatro decisões: como os leads chegam a cada agente, como garantir que cada credor tenha um único responsável, o que entra na meta e o que o gestor confere toda semana. Para uma empresa com 5 a 30 agentes, a regra prática é esta: a distribuição segue um critério que a equipe conhece, cada credor tem um dono nomeado, a meta mede valor de face cedido, conversão e follow-ups no prazo (e não só ligações), e a carteira de quem sai muda de mãos no mesmo dia, com o histórico junto.

Com dois ou três agentes, o dono resolve tudo de cabeça. A partir de cinco, aparecem o credor que recebe duas ligações da mesma empresa, a lista que ninguém tocou e o agente que bate a meta de ligações sem fechar nada.

Gestão de equipe de precatório: como distribuir leads entre os agentes?

Existem três modelos comuns. Cada um tem um custo.

Como distribuir leads entre os agentes?
ModeloComo funcionaA favorContra
Por campanhaCada agente fica com uma campanha inteira, por exemplo um tribunal e um ano de LOAO agente conhece a fundo o ente devedor e os argumentos daquela listaCampanha boa e campanha fraca geram resultados desiguais, e a comparação entre agentes fica injusta
Por carteiraCada agente é dono de um recorte fixo: ente devedor, natureza ou faixa de valorRelação longa com o credor e responsabilidade claraSe o agente sai ou trava, o recorte inteiro para junto
RodízioOs leads entram numa fila e vão para o próximo agente da vezDistribuição equilibrada, fácil de explicar e de compararNinguém se especializa

Muitas operações misturam os modelos: a campanha define o recorte, e dentro dela os leads saem em rodízio, em lotes pequenos. Entregar a lista inteira de uma vez faz o agente escolher os credores que parecem mais fáceis e deixar o resto parado em nome dele.

Duas regras ajudam qualquer modelo:

  • Lote do tamanho da capacidade. O agente recebe só o que consegue tocar dentro do prazo de primeiro contato que a empresa definiu.
  • Lead parado volta para a fila. Se o credor não teve nenhuma tentativa no prazo combinado (por exemplo, uma semana), ele volta para a distribuição.

Como evitar que dois agentes trabalhem o mesmo credor?

Esse é o erro que mais queima a imagem da empresa. O credor recebe duas abordagens, às vezes com propostas diferentes, e para de confiar nas duas. Quatro cuidados evitam a maior parte dos casos:

  1. Limpar a lista antes de distribuir. A chave de deduplicação é o número do processo, e não o nome do credor, como mostramos no guia de organização da operação.
  2. Um credor, um responsável. Mesmo quando o credor tem mais de um precatório, um único agente fica com todos. Por isso, cruze a lista nova também pelo CPF com a base que a equipe já trabalha.
  3. Consultar antes de ligar. O agente olha o histórico do credor antes do contato. Se aparece outro responsável, ele não liga: avisa o gestor.
  4. Troca de dono só pelo gestor. Nenhum agente "pega" credor de colega por conta própria. A troca passa pelo gestor e fica registrada.

Numa planilha compartilhada, os itens 2 e 3 são os primeiros a falhar, porque dependem de alguém filtrar a aba certa antes de cada ligação. É um dos sinais de que a planilha não sustenta mais a operação.

Que metas fazem sentido para um agente de precatório?

Meta boa mede o que gera dinheiro e o que o agente controla. Na compra de precatório, são três números:

Que metas fazem sentido para um agente de precatório?
MetaO que medeCuidado
Valor de face cedidoQuanto em crédito o agente levou até a cessão no períodoO ciclo é longo, então olhe o mês junto com o trimestre. E acompanhe o deságio: meta só de valor incentiva fechar pagando caro
Conversão por etapaDe cada credor em negociação, quantos recebem proposta; de cada proposta, quantas são aceitasMostra onde cada agente trava. Serve mais para orientar do que para premiar
Follow-ups no prazoQuantos retornos combinados com o credor foram feitos na dataÉ o número que mais antecipa resultado. Credor que esperou o retorno e não recebeu esfria

A conversão só vale se as etapas tiverem critério objetivo de entrada. Sem isso, cada agente move o credor quando acha que deve. O guia de pipeline mostra como definir esses critérios.

Se a documentação fica com um backoffice, a meta do agente vai até o aceite da proposta. Cobrar dele uma etapa que ele não controla gera atrito e não acelera nada.

Por que meta só de ligações distorce o resultado?

Porque ligação é atividade, não resultado. Quando ela vira a meta principal, o comportamento muda rápido:

  • O agente prefere chamadas curtas e evita os credores que exigem conversa longa.
  • Tentativa sem conversa passa a contar igual a uma negociação.
  • O mesmo credor recebe ligações demais e para de atender.
  • Os credores difíceis, que às vezes têm os créditos maiores, ficam para depois.

Número de ligações serve para diagnosticar se o problema de um agente é volume ou abordagem. A cobrança fica no valor cedido, na conversão e nos retornos no prazo.

O que o gestor deve olhar na segunda de manhã?

Uma rotina curta, sempre na mesma ordem, resolve mais do que uma reunião longa:

  1. Negócios parados. Quais credores estão na mesma etapa há mais tempo do que o normal, separados por agente.
  2. Follow-ups vencidos. Quais retornos combinados não foram feitos na semana anterior.
  3. Leads sem tentativa. O que foi distribuído e ninguém tocou. Volta para a fila ou ganha prazo novo.
  4. Valor de face por etapa. Compare com a semana anterior. Se o valor em negociação cai e nada chega à proposta, o problema está no meio do funil.
  5. Conversão por agente. Não para criar ranking, e sim para saber com quem conversar e sobre qual etapa.
  6. Documentação pendente. Quais cessões esperam documento e há quanto tempo.

Depois, uma conversa curta com cada agente que apareceu nos itens 1 a 3, para sair com uma data em cada pendência.

No prosprec, o painel já traz conversão, tempo médio até a cessão e o funil em valor de face, e as tarefas de retorno têm responsável e prazo. Numa planilha, monte pelo menos os itens 1 e 2 antes de qualquer outro relatório.

O que fazer com a carteira quando um agente sai?

É o momento em que a operação mais perde histórico. O que o agente sabia sobre cada credor, se estava no celular dele, vai embora junto. Um roteiro simples reduz o estrago:

  1. Cortar o acesso no mesmo dia. Sistema, planilha, grupos de mensagem. Os dados incluem CPF e informação financeira, e o guia de LGPD trata desse cuidado.
  2. Levantar a carteira. Tudo o que está em nome dele, separado por etapa.
  3. Pedir a passagem de bastão, quando possível. Uma nota em cada negócio aberto com o último contato e o próximo passo.
  4. Redistribuir por prioridade. Proposta enviada e documentação vão primeiro, para agentes mais experientes. Leads sem conversa voltam para a fila. Credor que recusou não vira lead novo: o motivo da recusa decide se vale procurá-lo de novo.
  5. Continuar a conversa, não recomeçar. O novo responsável lê o histórico antes de ligar. O credor não deve ter que contar tudo de novo.
  6. Combinar a comissão antes. A regra para negócios deixados em andamento precisa estar por escrito antes de alguém sair.

O item 4 só funciona se o motivo foi registrado de um jeito comparável. No prosprec, o agente escolhe o motivo numa lista fechada (valor, advogado, decisão de esperar, sem interesse, outro), e os negócios em espera ficam numa etapa "Standby" com o motivo dela, como aguardando ofício requisitório ou documento do cliente. O mesmo roteiro, em versão temporária, serve para férias.

Perguntas frequentes

Qual o melhor jeito de distribuir leads de precatório?

Um modelo comum é usar a campanha para definir o recorte e distribuir dentro dela em rodízio, em lotes pequenos. Lead sem tentativa no prazo volta para a fila.

Quantos leads cada agente deve receber?

Não existe número fixo. O lote certo é o que o agente consegue tocar dentro do prazo de primeiro contato. Se sobram muitos leads sem tentativa toda semana, o lote está grande demais.

A meta do agente deve ser em número de cessões ou em valor?

Em valor de face cedido, acompanhado do deságio, porque os precatórios têm valores muito diferentes. Junto com ela, acompanhe a conversão por etapa e os follow-ups no prazo.

O que fazer quando dois agentes já falaram com o mesmo credor?

Escolha um responsável na hora, de preferência quem tem o histórico mais avançado, e registre a troca. Depois, descubra por onde a duplicidade passou: lista sem deduplicação, credor com mais de um precatório ou consulta pulada antes da ligação.

Leia também: pipeline de cessão de precatório: as etapas e onde os negócios travam.